quinta-feira, 20 de setembro de 2012


DNA metálico: código genético molda síntese de nanopartículas


DNA metálico: código genético molda síntese de nanopartículas
O DNA dirige o crescimento das nanopartículas metálicas de forma similar ao que ele faz com a síntese de proteínas, com diferentes letras do alfabeto genético resultando em diferentes formatos das partículas. [Imagem: Zidong Wang/Yi Lu]

Genética inorgânica

O DNA contém o código genético para todos os tipos de moléculas biológicas. Agora, pesquisadores descobriram que o código contido nas moléculas de DNA também pode controlar a forma final de nanoestruturas inteiramente metálicas. Os segmentos de DNA foram usados para dirigir o processo de formação de nanopartículas de ouro, dando-lhes os mais diversos formatos. As propriedades físico-químicas das nanopartículas são largamente determinadas pelo seu formato e pelo seu tamanho. Assim, produzir nanopartículas com formatos e tamanhos precisos é essencial para suas aplicações práticas. As nanopartículas de ouro são largamente usadas nas pesquisas em medicina, para levar medicamentos diretamente a partes específicas do corpo, assim como em biologia e na composição de novos materiais.


DNA metálico
O alfabeto do DNA contém quatro letras A, T, G e C, as iniciais de adenina, timina, guanina e citosina. As "palavras" são formadas segundo uma regra simples: A sempre se liga a T e C sempre se liga a G.
Mas, no caso dessa "genética metálica", as quatro bases e suas combinações podem se ligar de formas diferentes às faces das "sementes" de ouro - os aglomerados iniciais que darão origem às nanopartículas.
DNA metálico: código genético molda síntese de nanopartículas
A equipe criou um roteiro básico que mostra o papel de cada base na geração de cada formato. [Imagem: Wang et al./Angewandte]
Ao se ligar aos aglomerados iniciais de ouro, as moléculas de DNA dirigem o crescimento dessas sementes, fazendo com que elas resultem em formatos diferentes.
Os experimentos mostraram que as fitas de DNA com sequências de "A" produzem nanopartículas redondas e rugosas. As sequências de "T" formam estrelas. As sequências de "C" geram discos planos. E, finalmente, as sequências de "G" formam hexágonos.
Genética de metais
O objetivo dos pesquisadores é mais amplo: estabelecer diferentes sequências de DNA que venham a constituir "códigos genéticos" para sintetizar partículas metálicas, de forma similar à que o DNA desempenha na síntese das proteínas.
Neste estudo inicial, o grupo testou o uso de fitas de DNA com combinações de duas bases - por exemplo, 10 "T" e 20 "A".
A regra geral é que as bases competem entre si, produzindo formatos intermediários, embora o "A" tenha dominância sobre o "T".
"A síntese de nanopartículas codificada por DNA nos dá uma forma nova e simples para produzir nanopartículas com formatos e propriedades previsíveis," disse Yi Lu, da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.
"Essa descoberta terá impactos na bionanotecnologia e aplicações importantes em nossa vida diária, como na catálise, nos sensores, no imageamento e na medicina," completou o pesquisador.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012


Laser vivo: célula humana emite raios laser
Cientistas criaram um laser vivo, dando a uma célula humana a capacidade para emitir luz laser.
Embora encontrando cada vez mais usos na área da saúde, a emissão dos raios laser sempre esteve associada com materiais inertes, como cristais, espelhos e lentes.
Agora, pela primeira vez, cientistas demonstraram que um organismo biológico é capaz de emitir laser.
Laser vivo
Malte Gather e Seok Hyun Yun, trabalhando juntos no Hospital Geral de Massachusetts, nos Estados Unidos, modificaram geneticamente uma célula para que ela expressasse a proteína florescente verde, a chamada GFP (Green Fluorescent Protein).
A luz emitida por essa proteína é não-coerente - como a luz de uma lâmpada. Mas os cientistas transformaram-na na base para a geração da luz laser a partir da célula onde ela está implantada.
O isolamento da GFP valeu o Nobel de Química de 2008 aos cientistas que trabalharam para que ela se tornasse um instrumento incomparável nas pesquisas biológicas e médicas e uma das principais ferramentas da engenharia genética.
Laser vivo: célula humana emite raios laser
O laser celular foi montado colocando uma única célula em uma microcavidade composta por dois espelhos altamente reflexivos, espaçados por 20 milionésimos de metro. [Imagem: Gather/Yun]
Laser biológico
Os dois pesquisadores montaram um dispositivo composto de um cilindro de 2,5 centímetros de comprimento, com espelhos em cada uma das extremidades, preenchido com uma solução de GFP em água.
Depois de confirmarem de que a solução de GFP é capaz de amplificar uma energia de entrada - um outro laser de luz azul - para produzir seus próprios pulsos de luz laser, os pesquisadores estimaram a concentração de GFP necessária para produzir o efeito laser.
O passo seguinte foi desenvolver uma linhagem de células humanas expressando a GFP nos níveis necessários - os cientistas usaram células embrionárias do rim humano.
O laser celular foi montado colocando uma única célula expressando a GFP - com um diâmetro entre 15 e 20 milionésimos de metro - em uma microcavidade composta por dois espelhos altamente reflexivos, espaçados por 20 milionésimos de metro.
Uma descoberta inesperada foi que o próprio formato circular da célula funcionou como uma lente, focalizando a luz e induzindo a emissão de luz laser em níveis de energia mais baixos do que aqueles do dispositivo inicial baseado na solução de GFP.
Curiosidade de cientista
"Desde que foram desenvolvidos cerca de 50 anos atrás, os lasers têm sido construídos com materiais tais como cristais, corantes e gases purificados como meio de ganho óptico, dentro dos quais pulsos de fótons são amplificados enquanto refletem-se continuamente entre dois espelhos", comenta Yun. "O nosso trabalho é o primeiro relato de um laser biológico baseado em uma única célula viva."
Para seu colega Malte Gather, o grande motivador da pesquisa foi a curiosidade científica de saber se o laser era algo absolutamente artificial ou se essa emissão coerente de luz poderia ser feita no interior de organismos vivos.
A GFP - que é uma proteína encontrada originalmente em algumas espécies de medusa - mostrou-se interessante para a pesquisa porque ela pode ser induzida a emitir luz sem que seja necessário usar enzimas adicionais.
Laser vivo: célula humana emite raios laser
Uma descoberta inesperada foi que o próprio formato circular da célula funcionou como uma lente, diminuindo o nível de energia necessário para emissão do laser. [Imagem: Gather/Yun]
Terapias fotodinâmicas
As células usadas no laser biológico sobreviveram ao processo de produção da luz laser, chegando a produzir centenas de pulsos.
"Embora os pulsos individuais de laser durem apenas alguns nanossegundos, eles são brilhantes o suficiente para serem facilmente detectados, com informações úteis que podem representar formas totalmente novas de analisar as propriedades de um grande número de células de forma quase instantânea", afirma Yun.
A possibilidade de gerar laser a partir de uma fonte totalmente biológica poderá dar um novo impulso às promissoras terapias fotodinâmicas - uma das mais eficientes, por exemplo, para a eliminação do câncer de pele.
Comunicação óptica celular
"Um dos nossos objetivos a longo prazo será encontrar formas de levar as comunicações ópticas e a computação, feitas atualmente com dispositivos eletrônicos inertes, para a esfera da biotecnologia," acrescenta Gather.
Isto poderá ser particularmente útil para a criação de interfaces entre a eletrônica e os organismos biológicos, o que inclui as proteses inteligentes, as interfaces neurais e os exoesqueleto.
O próximo passo da pesquisa será tentar implantar os espelhos dentro da própria célula, criando um laser biológico autocontido e totalmente portável.

domingo, 8 de julho de 2012

Avanço da tecnologia deve fazer safra de vinhos 2012 ser melhor do que a de 2005, considerada marco de qualidade
Chuva abaixo do normal durante maturação e colheita colaboraram para sanidade dos frutos


A safra 2012 deve ser uma das melhores da história em qualidade. O pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, de Bento Gonçalves, José Eduardo Monteiro, explica que as condições meteorológicas dos últimos meses do ano passado e dos primeros de 2012, com chuvas abaixo do normal, foram ideais para a produção de uvas para vinhos finos.
 Menos chuva significa menos incidência de doenças e melhor qualidade de modo geral. Isso permite que a uva fique mais tempo no campo para maturar mais. Em anos chuvosos, é difícil de controlar as doenças, então, as frutas são colhidas logo para não apodrecerem _ aponta Monteiro.

A análise do Grau Babo (índice de açúcar) de 280 amostras coletadas pela Divisão de Enologia as Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa) atestou a qualidade das uvas deste ano. A uva merlot, por exemplo, teve uma graduação média de 18,02, enquanto que, em 2005, havia sido de 18,13 e, no ano passado, de 16,12. A chardonnay registrou 17,08 de graduação média, diante de 17,44 em 2005 e 16,78 em 2011. 
Os graus são parecidos com 2005. Mas, agora, deve-se contar também a evolução enológica e do cultivo das parreiras. De 2005 para cá, tivemos modernização de vinícolas e vinhedos novos aponta o presidente do Ibravin, Alceu Dalle Molle.

Presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE), o enólogo Christian Bernardi, concorda com a evolução de 2005 para cá: 
 Os profissionais envolvidos ganharam know-how. Todos estão mais preparados para o trabalho, com mais experiência, mais conhecimento, mais estudos e mais tecnologia.

Por isso, a produção de vinhos 2012 deve ser o novo marco: 
 Esta deve ser a próxima safra de referência. Daqui a dois ou três anos, quando falarmos de uma safra de qualidade, nosso parâmetro será: "esta safra é tão boa quanto a de 2012?" aponta o presidente da ABE.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Descoberta de gene pode levar a contraceptivo masculino

O desenvolvimento de uma pílula contraceptiva masculina pode estar mais próximo após pesquisadores em Edimburgo, Escócia, identificarem um gene essencial à produção de esperma saudável.


 


Experiências com ratos descobriram que o gene, Katnal1, é vital para a fases final de produção de esperma.


Os autores do estudo na PLoS Genetics afirmam que a droga que interrompe o funcionamento do Katnal1 poderia ser um contraceptivo reversível.
Um especialista em fertilidade disse que "certamente há necessidade" para esse tipo de medicamento.
Atualmente a contracepção em homens é possível apenas por meio de preservativos ou vasectomia.

'Efeitos reversíveis'

Os pesquisadores do Centro de Saúde Reprodutiva da Universidade de Edimburgo estavam investigando as causas da infertilidade masculina.
Eles aleatoriamente alteraram o código genético dos ratos para ver o que os tornava inférteis. Rastreadas as mutações que levavam à infertilidade, os cientistas chegaram ao Katnal1.
"Se conseguirmos encontrar uma forma de atingir este gene nos testículos, poderíamos potencialmente desenvolver um contraceptivo não hormonal"
Lee Smith, Universidade de Edimburgo

O gene contém as marcas de uma proteína que é importante em células que ajudam no desenvolvimento de esperma. Sem a proteína, os espermatozóides não se formam por completo e o corpo se desfaz deles.
Os cientistas esperam ser capazes de executar um truque semelhante em seres humanos para suspender o desenvolvimento de esperma sem causar danos permanentes.
Um dos pesquisadores, Lee Smith, disse: "Se conseguirmos encontrar uma forma de atingir este gene nos testículos, poderíamos potencialmente desenvolver um contraceptivo não hormonal".
"O importante é que os efeitos de uma droga sejam reversíveis, porque o Katnal1 afeta apenas as células do esperma nas fases posteriores do desenvolvimento, e por isso não prejudicaria os primeiros estágios da produção de espermatozóides e a capacidade geral de produzir esperma".
Lee afirma que seria "relativamente difícil" chegar ao resultado desejado já que as proteínas estão dentro das células. No entanto, ele diz haver "potencial" para encontrar associado à proteína e que seja um alvo mais fácil de atingir.

'Santo Graal'

Para o pesquisador Allan Pacey, que também é professor de andrologia da Universidade de Sheffield, há "certamente uma necessidade" para um contraceptivo não hormonal para homens.
Na visão do especialista, este tem sido o "Santo Graal" dos estudos nesta área por muitos anos.
Ele acrescentou: "A chave para o desenvolvimento de um contraceptivo não hormonal para homens é que o alvo molecular seja muito específico tanto no esperma quanto nas células no testículo que estão envolvidas na produção de espermatozóides".
"Se isso não ocorrer, tal contraceptivo poderia ter efeitos secundários indesejáveis sobre outras células e tecidos do corpo e ser perigoso".
"O gene descrito pelo grupo de pesquisa em Edimburgo parece ser um alvo novo e possível para um anticoncepcional masculino, mas também pode lançar luz sobre por que alguns homens são inférteis e por que seu esperma não funciona adequadamente", avalia Pacey. 

FONTE: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/